Tudo sobre scrum: a metodologia ágil para desenvolvimento de produtos

Quem não acha que faz coisas demais com recursos de menos?

Todo mundo acredita ser exigido demais em seu trabalho e que os orçamentos, os recursos e o tempo são escassos para o exagerado escopo dos projetos.

Acontece que a maioria de nós se resigna a resmungar baixinho, ou a cochichar reclamações no cafezinho.

Mas não foi o que fizeram Jeff Sutherland juntamente com seu colega, Ken Schwaber, os criadores da metodologia scrum.

Cansados de serem incumbidos de projetos superdimensionados que deviam ser entregues rapidamente, eles trataram de buscar uma solução, criando sua própria metodologia.

Neste post, vamos falar sobre o que surgiu a partir daí, para que você possa ficar por dentro de tudo sobre scrum.

Tudo sobre scrum: um guia completo

Antes de você descobrir tudo sobre scrum, é importante dar um passo atrás e falarmos das metodologias ágeis, dentro das quais se encontra o scrum.

Vamos lá?

O que são as metodologias ágeis?

Essas metodologias surgiram inicialmente a partir do manifesto ágil.

Trata-se de um manifesto criado por vários desenvolvedores de sistemas que, de forma semelhante a Jeff Sutherland, também estavam cansados das exigências burocráticas e metodologias ultrapassadas que engessavam seus projetos e inibiam a criatividade.

Por isso, iniciaram um verdadeiro movimento de mudança na forma como se desenvolviam softwares.

Essa metodologia preconizava, entre outras coisas:

  • Respostas rápidas e flexíveis à mudança de cenários
  • Usar planos de ação adaptáveis
  • Trabalho colaborativo e racional entre equipes
  • Auto-organização
  • Desenvolvimento incremental das soluções com base no feedback dos clientes

O manifesto ágil mostrou o caminho para se chegar a soluções valorizando também os seguintes pontos:

  1. Indivíduos e interações mais que processos e ferramentas
  2. Software em funcionamento mais que documentação abrangente
  3. Colaboração com o cliente mais que negociação de contratos
  4. Responder a mudanças mais que seguir um plano

Hoje, o conceito se expandiu e não apenas softwares, mas o desenvolvimento de produtos e o gerenciamento de equipes em qualquer área pode seguir a metodologia ágil, em que se destacam métodos consagrados como o kanban, o lean e o scrum, entre outros.

Na verdade, desde o roadmap de produtos até o gerenciamento ágil de marketing –  entre tantas outras atividades – podem ser feitas com ajuda dos conceitos definidos pelo manifesto ágil.

Se você quiser saber mais sobre métodos ágeis, assista a este vídeo da HBR, em inglês:

Depois dessa visão geral das metodologias ágeis, agora sim, vamos entender tudo sobre scrum.

Preparado?

O que é scrum?

O primeiro passo para saber tudo sobre scrum é entender sua definição e seus fundamentos.

O principal fundamento do scrum é o empirismo, que afirma que todo conhecimento vem da experiência.

O segundo fundamento é a abordagem iterativa, isto é: ganhos incrementais a cada novo conhecimento empírico adquirido.

Assim, tudo que é feito deve ser testado (com auxílio dos clientes finais) para só então se transformar em conhecimento, que é usado para tornar o resultado cada vez melhor, passo a passo.

Tendo isso em vista, podemos definir o que é scrum com a seguinte frase:

Scrum é um método pelo qual as pessoas podem tratar e resolver criativamente problemas complexos – e que se encontram em constante transformação -, com o objetivo de desenvolver produtos com o mais alto valor possível.

É uma definição um tanto pomposa para dizer o seguinte: o scrum ajuda equipes a resolver problemas rapidamente para entregar produtos que agradem muito aos clientes finais (produtos que tem alto valor para eles).

Mas para que o scrum funcione adequadamente, ele se fundamenta sobre três pilares.

Vamos conhecê-los?

Os três pilares do scrum

Segundo o Guia Oficial do Scrum, seus três pilares são:

  1. Transparência
  2. Inspeção
  3. Adaptação

Veja cada um deles em mais detalhes:

1- Transparência

Todas as características do projeto em desenvolvimento devem ter definições claras e objetivas, comuns a todos os participantes, para que estes “falem a mesma língua” durante a execução de suas tarefas.

Além disso, essas informações e definições devem ser facilmente acessíveis por todos e compartilhadas constantemente.

2- Inspeção

Inspeções devem ser feitas frequentemente para se verificar se os progressos conquistados até o momento realmente se enquadram nos objetivos do projeto e nas necessidades dos clientes finais.

Por outro lado, deve-se tomar cuidado para que um excesso de inspeções não atrase o andamento dos trabalhos.

3- Adaptação

É neste ponto que as iterações incrementais (pequenos progressos constantes) vão começar a ficar mais claras para você.

Caso uma inspeção detecte que alguns dos aspectos desejados para a satisfação do cliente não estão de acordo com o esperado, o processo ou o material que está sendo produzido deve ser ajustado.

E isso deve ser feito o mais rapidamente possível.

Essas definições que apresentamos até agora te deixaram um pouco confuso?

Calma, você vai ver que gerenciar equipes scrum pode ser mais fácil do que imagina. Logo vamos falar dos papéis de cada um nos times e como organizar os famosos sprints, entre outros eventos scrum.

Aguente firme!

Os principais papéis em times scrum

Não tem como saber tudo sobre scrum sem conhecer alguns papéis fundamentais para a organização de seus eventos durante os sprints (nós já vamos explicar os sprints detalhadamente, ok? – espere um pouquinho!).

Os times scrum contam com os seguintes papéis:

  1. O time de desenvolvedores
  2. O product owner (dono do produto)
  3. O scrum master

1- Os desenvolvedores

O time de desenvolvedores são os técnicos e analistas responsáveis por criar e implementar as funcionalidades necessárias para a conclusão do projeto e a entrega do produto.

O time é composto por profissionais com habilidades multidisciplinares e complementares que devem agir de forma colaborativa e se auto-gerenciar, por meio dos eventos scrum que descreveremos mais adiante.

2- O product owner

Conhecido como guardião dos interesses dos usuários finais, o product owner é o “dono do produto” que se pretende desenvolver.

Ele é o profissional responsável por garantir que o valor percebido pelos usuários finais do produto seja sempre maximizado durante o processo de desenvolvimento.

O product owner é o único integrante do time que pode gerenciar o backlog de produto.

Backlog de produto? – Sim, mais um “nomezinho” para você decorar!

Mas é fácil: backlog do produto são todas as tarefas que o product owner define como necessárias para que se atinjam os objetivos do projeto, contemplando o produto com todas as funcionalidades desejadas.

Em outras palavras: o product owner é quem define o que o time de desenvolvedores deve fazer, tendo um papel de destaque no gerenciamento do projeto.

Veja algumas boas práticas que o product owner deve seguir:
  • Definir claramente os itens do backlog do produto;
  • Organizar a ordem das tarefas do backlog de forma lógica e produtiva;
  • Otimizar o trabalho que do time de desenvolvimento;
  • Certificar-se de que o backlog é acessível por todos, transparente e claro;
  • Tomar as providências necessárias para que os desenvolvedores entendam as tarefas do backlog adequadamente.

3- O scrum master

Sim, todo projeto scrum tem um mestre!

Se o product owner é o guardião dos interesses dos clientes finais, o scrum master é o guardião das regras e dos procedimentos do scrum durante a execução do projeto.

Seu papel é de ajudar a todos a entenderem seus papéis dentro do método scrum, como seguir seus procedimentos corretamente e como participar dos eventos.

Ele é o defensor dos valores do scrum dentro do projeto e responsável por fazer que as normas nunca sejam quebradas ou algum desvio de comportamento aconteça.

Dessa forma, ele garantirá que todas as iterações entre os integrantes do time levem à maximização de valor do produto criado pelo scrum.

Veja algumas boas práticas que o scrum master deve seguir:
  • Certificar-se que os objetivos e o escopo do projeto foram entendidos por todos;
  • Definir técnicas adequadas de gerenciamento do backlog do produto;
  • Tomar as providências necessárias para que o product owner organize corretamente o backlog do produto;
  • Compreender os princípios ágeis e praticá-los;
  • Treinar os desenvolvedores para se auto-gerenciarem;
  • Remover impedimentos ao desenvolvimento de valor nos produtos;
  • Ser um facilitador dos eventos scrum;
  • Ser um evangelizador do scrum na organização;
  • Explicar e esclarecer os conceitos de desenvolvimento empírico de produtos do scrum.

Os eventos scrum: como organizar as inspeções e iterações

Finalmente você vai descobrir em mais detalhes quais são os eventos scrum e como acontecem os tão famosos sprints!

Afinal, quem quer saber tudo sobre scrum precisa dominar seus quatro eventos na ponta da língua!

É por meio deles que todas esses conceitos complexos que descrevemos acima são postos em prática de uma forma ágil e produtiva.

Fique atento a eles, para que você entenda como funciona tudo isso.

Já era hora!

Os quatro eventos scrum são:

  1. Planejamento de sprint
  2. Reunião diária
  3. Revisão do sprint
  4. Retrospectiva do sprint

Nós vamos ver agora como funcionam cada um desses eventos, mas, antes disso, é preciso entender o que é um sprint.

O que é sprint no método scrum

O objetivo de padronizar os eventos no método scrum é diminuir a necessidade de reuniões (que ótimo, não?), pois esses eventos já preveem o momento certo para a troca de informações necessárias e feedbacks entre os participantes.

Esses eventos são organizados em torno do que se chama sprint, que consiste em um período de tempo pré-determinado, geralmente de um mês, durante o qual algumas funcionalidade incrementais serão acrescentadas ao produto em desenvolvimento.

Os sprints são realizados em sequência, de forma que o início de um ocorra imediatamente após o fim do sprint anterior.

Vamos compreender os eventos que compõem um sprint?

Mas antes de iniciar a leitura, confira uma ilustração que representa um sprint de scrum e a consulte sempre que necessário:

 

Tudo sobre scrum

Fonte: MindMster

1- Planejamento do sprint

Ok, é bastante óbvio que um sprint se inicie por seu planejamento, mas como isso funciona?

Todo time deve participar do planejamento e ele tem a seguintes características:

  • O planejamento só pode durar, no máximo, oito horas.

E pode estar certo de que o scrum master ficará de olho na equipe para que isso seja seguido à risca!

Ao final do planejamento, estas duas perguntas devem ter sido respondidas:

  1. O que pode ser entregue como resultado do incremento do sprint que estamos planejando?
  2. Como será realizado o trabalho necessário para entregar o incremento?

2- Reunião diária

A reunião diária costuma acontecer pela manhã e só pode durar, no máximo, 15 minutos, nem mais, nem mais menos.

É durante esta reunião que os desenvolvedores, praticando a auto-gestão, definem o que será feito nas próximas 24 horas.

Além disso, a inspeção do trabalho do time é feita no dia anterior de forma colaborativa e os ajustes necessários já são inclusos no planejamento para a maximização de valor.

A reunião diária deve acontecer sempre no mesmo local e horário para facilitar processos e evitar desencontros.

O Guia Oficial do Scrum sugere uma maneira ágil de organizar o que deverá ser discutido na reunião diária, com cada participante respondendo às seguintes perguntas:

  1. O que eu fiz ontem que ajudou o time de desenvolvimento a atingir a meta do sprint?
  2. O que eu farei hoje para ajudar o time de desenvolvimento atingir a meta da sprint?
  3. Eu vejo algum obstáculo que impeça a mim ou ao time de desenvolvimento de atingir a meta da sprint?

3- Revisão do sprint

Ao final de cada sprint é realizada a reunião de revisão.

Seu objetivo é inspecionar o ganho incremental gerado e adaptar o backlog do produto, se necessário.

A reunião tem um caráter informal e se destina a troca de feedbacks, a promoção da colaboração e a motivação da equipe.

Sua duração máxima deve ser de 4 horas; caso se trate de um sprint de duração menor que quatro meses, ela pode ser menor.

4- Retrospectiva do sprint

A retrospectiva do sprint, chamada também de retrospectiva scrum, é o momento em que o time faz uma inspeção completa do próprio trabalho e já pensa em um plano de melhorias para o próximo sprint.

Não confunda a revisão com o planejamento, que marca o início de um novo sprint.

A reunião retrospectiva deve durar no máximo 3 horas (cuidado com o scrum master!) e seus objetivos são:

  • Inspecionar como o sprint anterior se desenrolou em relação aos integrantes do time, aos relacionamentos, aos processos e às ferramentas usadas
  • Identificar e ordenar os principais itens que foram bem-sucedidos e as potenciais melhorias que podem ser realizadas
  • Criar um plano para implementar melhorias no modo que o time scrum faz seu trabalho

Dê uma olhada neste gráfico que resume de forma esquemática um ciclo de trabalho scrum:

Já sabe tudo sobre scrum?

É claro que dominar o método scrum leva tempo e muita prática.

Mas agora que você já sabe bastante coisa sobre ele, reproduzimos uma lista das principais características deste método, definidas em um artigo escrito com a participação do próprio Jeff Sutherland:

Princípios fundamentais:

Capacitar equipes criativas e multifuncionais.

Condições mais favoráveis ​​para a adoção do método:

  • Em empresas com cultura criativa, com altos níveis de confiança e colaboração.
  • Equipes de inovação radical que querem mudar o ambiente de trabalho.

Funções necessárias:

  • Donos do produto responsáveis ​​pela classificação das prioridades a serem desenvolvidas pela equipe para gerar o máximo valor para os clientes finais e também para o negócio em si.
  • Facilitadores de processos que orientam o fluxo de trabalho (scrum masters)
  • Equipes pequenas, multifuncionais, autogerenciadas e inovadoras.

Regras de trabalho prescritas pelo método:

  • Planejamento do sprint, quando todos se prepararam para a próxima rodada de trabalho.
  • Definição de um tempo fixo de duração consistente para o sprint (1 a 4 semanas) suficiente para criar um incremento de produto que seja possível entregar sem sobrecarregar a equipe.
  • Reuniões diários de 15 minutos para avaliar o progresso e impedimentos que surgirem.
  • Revisão dos sprints para inspecionar o novo ganho incremental do trabalho.
  • Retrospectiva do sprint para que a equipe possa inspecionar e melhorar a si mesma.

O que deve ser entregue ​​(os “artefatos”):

  • Backlog do produto, uma lista fluida e ordenada por importância de potenciais recursos e inovações ao produto.
  • Backlog do sprint, o subconjunto de itens do backlog do produto selecionados para serem concluídos no próximo sprint.
  • Ganhos incrementais pelo trabalho realizado.

Abordagem para a mudança cultural:

  • Adote rapidamente as práticas prescritas, mesmo que sejam substancialmente diferentes das praticadas pelo resto da organização.
  • Mapeie as práticas prescritas e, em seguida, adapte-as através de experimentação.

Vantagens:

  • Facilita avanços radicais mantendo os benefícios de operar como parte da organização-mãe, apesar de usar uma metodologia diferente.
  • Oferece as inovações mais valiosas rapidamente.
  • Aumenta rapidamente a satisfação e felicidade da equipe.
  • Desenvolve habilidades de gerenciamento geral.

Desafios:

  • Líderes podem relutar em priorizar iniciativas da equipe e ter que renunciar ao controle em favor de times que praticam a autogestão.
  • São necessárias novas habilidades de gerenciamento para coordenar dezenas ou centenas de equipes multidisciplinares.
  • Os tempos de iteração rigidamente fixados podem não ser adequados para alguns problemas (especialmente aqueles que surgem diariamente).
  • Alguns membros da equipe podem ser subutilizados em certos ciclos de sprints.

Ufa! Realmente você não pode negar… Agora sabe tudo sobre scrum!

Você usa, scrum em sua empresa?

Você sente a falta da rastreabilidade nesse tipo de gerenciamento de processos?

E quanto aos “rituais”, eles são seguidos à risca?

Conte para a gente nos comentários.

5 Comentários. Deixe novo

  • Caros atenção não é interação. Iteração é # de interação, sugiro corrigir a definição e estudar o conceitos.

    Responder
  • Existe algum documento que possa ser feito de uma maneira prática? que mostre o que está sendo realizado pelo scrum para apresentar.

    Responder
    • Geralmente os relatórios de acompanhamento como o “Sprint Burn Down” são bons artefatos pra realizar o acompanhamento diário de um projeto Scrum.

      Outros relatórios e o próprio board de tarefas podem auxiliar no processo de transparência.

      Também é importante considerar outros conceitos de gerenciamento de projetos que não estão necessariamente dentro do Scrum, como por exemplo, o uso de roadmaps e dashboards concisos.

      Espero ter ajudado, abraços.

      Responder
  • Achei legal o seu artigo, porém queria considerar um ponto, em um dado momento você diz: “A reunião diária costuma acontecer pela manhã e só pode durar, no máximo, 15 minutos, nem mais, nem mais menos”.

    Bom, como todo evento “time-boxed”, o tempo apenas diz respeito ao limite de tempo. Logo, uma reunião de Sprint Daily pode ser finalizada antes dos 15 minutos se todos já tiverem falado e não houver nenhum impeditivo a ser discutido e abordado. Além disso, qualquer outro evento que possui a caracteristica de “time-boxed” pode ser finalizado assim que seu objetivo estiver sido alcançado (Planning, Review e Retrô).

    Responder

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