Inovação disruptiva, mais um exemplo de palavra da moda?

No passado não se podia sentar em uma mesa de reunião sem ouvir a expressão “vantagem competitiva”. Tempos depois, era o tal do Balanced Scorecard, hoje, ao que parece, uma das expressões da moda é a “inovação disruptiva”, realmente uma locução muito bacana de se pronunciar em público.

Mas será que quem profere de boca cheia esse conceito, sabe mesmo do que se trata e conseguiria, ao menos, dar um exemplo de inovação disruptiva?

Não, o iPhone do Steve Jobs não vale! Tem que ser um diferente.

Sabe uma inovação disruptiva que ninguém deve ter exemplificado como tal antes? Os estribos para cavalos!

Mas antes de explicarmos isso melhor, vamos entender a inovação disruptiva: exemplos depois, conceitos primeiro!

 

O que é inovação disruptiva?

Quando se fala em inovação em processos, estamos falando em agregar valor a um processo já existente.

Nesse contexto, a melhoria de processo e a gestão da mudança, podem ser, em alguns casos, consideradas inovadoras.

Mas quando falamos em inovação disruptiva, estamos falando em abandonar o processo anterior, mais que isso, torná-lo obsoleto. E não apenas o processo, mas todo o modelo de negócios que o usava, afetando toda uma indústria, como o clássico exemplo de inovação disruptiva que ocorreu com o surgimento do iPhone.

Em suma: A inovação disruptiva não agrega valor, ela cria um novo valor!

E já que é para usar as palavras preferidas dos “showmen” das reuniões corporativas: ela cria um novo paradigma.

 

Inovação disruptiva: o exemplo dos estribos para cavalos

Mesmo que você nunca tenha montado em um cavalo, é fácil imaginar como deve ser difícil fazer isso sem usar estribos.

Durante toda a antiguidade, até aproximadamente o século 4 d.C., as pessoas montavam a cavalo com uma simples manta, sem equilíbrio algum. A cavalaria nem era levada muito a sério em batalhas.

Foi só por volta do século 5 d.C. que esta invenção Chinesa (um século antes) chegou ao ocidente, por Bizâncio, sendo adotada pelos francos, posteriormente.

A inovação disruptiva foi tamanha que, dizem alguns, foi a responsável pela introdução do feudalismo na Europa.

O que antes levava anos para se aprender: montar em um cavalo em pelo, sem cair o tempo todo, e usá-lo em batalha, agora se fazia em 3 ou 4 meses. Um novo processo de guerra surgia!

O mundo mudou totalmente por causa de uma tira de couro com uma argola de metal em cada ponta: o estribo!

E olha que os chineses nem precisaram de um editor BPMN para isso!

 

Inovação disruptiva: outros exemplos

As inovações disruptivas têm a estranha mania de destruir indústrias.

O triste é quando o próprio criador da inovação disruptiva, o exemplo da Kodak, destrói a si mesmo…

Foi a Kodak quem criou as câmeras digitais, responsáveis pelo colapso da empresa que não soube se aproveitar da inovação e continuou firme, produzindo filmes em acetato para um mercado cada vez menor.

Fitas K7 e discos de vinil X CDs e DVDs

Só de falar no assunto, para quem conheceu essas mídias dos anos 60 e 80, já se entende como a inovação disruptiva ocorreu, nem é preciso falar mais nada.

Sites de stream de musicais

Mais uma inovação disruptiva na indústria da música. Lembra-se que no início gerou protestos e teve até gente presa por baixar músicas na internet? Hoje tudo está mais do que consolidado, com stream de vídeos e filmes também, como o NETFLIX não nos deixa negar!

Aliás, a indústria do entretenimento é uma das que mais gera inovações disruptivas!

Empresas SaaS e softwares colaborativos

Não, você não compra mais um software e instala em seu computador, você usa sistemas de CRM, softwares de BPM, planilhas eletrônicas e editores de texto baseados na nuvem.

Da mesma forma, não faz sinal para chamar um táxi, nem telefona para fazer reservas de hotel ou pesquisar preços de passagem aérea.

A diferença é que a maioria das de empresas SaaS não era assim antes da inovação acontecer.

Elas souberam usar a inovação disruptiva a seu favor, talvez alertadas por um desses caras que decoram as “palavras do momento”, e em uma reunião de diretoria, gritou a todos pulmões: – Precisamos nos tornar SaaS! – mas nem sabia muito bem do que se tratava essa sigla…

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